segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Sessenta e três anos de corinthianismo

Fevereiro é um mês de duas grandes comemorações na minha vida. É o mês em que comemoro a data em que retornei a esse Planeta para novas aprendizagens e o mês em que festejo meu aniversário de Corinthianismo. Não, como muitos pensam, não nasci Corinthiana e só vim a conhecer o Corinthians às vésperas de completar 14 anos. Nasci numa família dividida no futebol, de pai são-paulino fanático e de mãe,"palmeirense desde o tempo do Palestra Itália,"como ela afirmava, batendo no peito. Quinta filha do casal, os irmãos estavam divididos, dois pra cada lado e eu era aliciada pelos 2 lados, para o desempate. Não me preocupava com futebol. Onde eu morava ainda não tinha televisão e criança não mexia no rádio. Jornal também não era muito comum e era leitura de adulto. Morava em Bauru, onde a televisão ainda não chegara e, em casa, quando o assunto era futebol só se falava em São Paulo e Palmeiras. Mas, em 1955, de férias em São Paulo, uma amiga da mamãe, sabendo que ela era palmeirense, nos convidou para ver pela TV um jogo do Palmeiras e para conhecermos a maravilha do século, a televisão. 
Lembro-me como se fosse hoje. Foi no dia 06 de fevereiro de 1955. Neste dia, pela 1ª vez na vida, conheci a televisão, vi o meu 1º jogo de futebol e, o mais importante, conheci o Corinthians. Confesso que fui pro jogo disposta a dar uma força e torcer pro time da mama. Eu até pensei que o jogo fosse contra o São Paulo e só ao chegar na casa dos nossos anfitriões fiquei sabendo que o jogo era contra o Corinthians. Minha 1ª pergunta foi, "quem é o Corinthians?" E o dono da casa, que era corinthiano, esclareceu-me, resumidamente, sobre o Timão.
Acomodamo-nos para ver o jogo e eu estava encantada com o espetáculo e com a tecnologia que me permitia ver o que se passava em outro local no momento em que tudo acontecia. Ficamos em silêncio para melhor usufruir aquele momento. A TV branco e preto não permitia ver as cores, mas isso pouco importava. Eis que os times entraram em campo e, mesmo sem saber quem era quem, me encantei com o Corinthians. Ao vê-lo em campo, eu me arrepiei toda e, naquele momento, a mama teve que torcer sozinha para o seu "Palestra Itália." 
Não entendia bem os lances do jogo, mas, fiquei feliz com o gol do Luizinho, me entristeci com o gol do Palmeiras e sofri até ouvir o apito final e ver a festa da torcida no Pacaembu. Ali começou a minha vida de "corinthiana, maloqueira, sofredora, graças a Deus." O dono da casa, pacientemente, ia explicando o jogo e me deixou mais tranquila, quando disse que bastava um empate pro Corinthians ser o campeão do IV Centenário. 
Hoje comemoro 63 anos de Corinthianismo. No dia 6 de fevereiro de 1955 conheci o Corinthians, me apaixonei e nunca mais o deixei. Por muito tempo, tal qual uma adolescente que namora às escondidas, guardei essa paixão só para mim. Até que um dia fui surpreendida pela mama comemorando um gol do Corinthians. Com o segredo descoberto, assumi publicamente minha grande paixão, que hoje faço questão de escancarar para o Universo, gritando bem alto para que o mundo todo possa ouvir:
SOU CORINTHIANA! 
COM MUITO ORGULHO! 
COM MUITO AMOR!
Como recordar é viver, faço questão de reviver esse dia e compartilhar com os leitores do blog um momento tão importante e significativo da minha vida. 
A decisão

Ficha técnica - Corinthians 1 X Palmeiras 1
Campeonato Paulista do IV Centenário
Local: Estádio Municipal do Pacaembu
Data: 06/02/1955
Horário: 15 horas
Gols: Corinthians: Luizinho - Palmeiras: Nei
Corinthians: Gilmar, Homero e Alan; Idário, Goiano e Roberto; Cláudio, Luizinho, Baltazar, Rafael e Simão. Técnico: Osvaldo Brandão. 
Palmeiras: Laércio, Manuelito e Cação; Nilo, Waldemar Fiúme e Dema; Liminha, Humberto, Nei, Jair Rosa Pinto e Rodrigues. Técnico: Aymoré Moreira
No dia 13 de fevereiro, coube ao São Paulo entregar as faixas de campeão aos jogadores alvinegros. O Timão retribuiu o favor com uma bela vitória por 3 x 1, fechando com chave de ouro a campanha do título que vai ficar pra sempre na história do Timão e da cidade de São Paulo. O artilheiro do Timão foi Luizinho, com 14 gols

Depoimento de Gilmar
“Seria uma decisão como outra qualquer, mas com a diferença de que essa valia o título do Centenário de São Paulo. O Corinthians tinha a vantagem do empate, mas encontrou um adversário difícil. O jogo foi duro e bastante disputado. Logo no início fizemos 1 a 0. Depois, o Palmeiras reagiu e empatou. A partir daí, seguramos o resultado e fomos campeões. Todos queriam esse título, pois quem ganhasse ficaria com a glória para os cem anos seguintes”.
Corinthians Campeão do IV Centenário - Hino

Créditos e fontes de imagens
Carla de Oliveira Nascimento
terceirotempo.bol.uol.com.br
corinthiansotimedopovo.blogspot.com
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