domingo, 30 de junho de 2013

Para que servem as categorias de base?

Se eu tivesse um neto com aptidão para jogar futebol, iria fazer o possível para ele jogar no Corinthians. Mas, se enganam aqueles que pensam que eu iria encaminhá-lo para as categorias de base do Timão, por mais que ela seja vencedora da Copa São Paulo de Juniores e até de torneios internacionais. Eu iria encaminhá-lo para um time do interior, de 2ª ou 3ª divisão em que tivesse chance de jogar no Paulistão. Lá ele teria a oportunidade de jogar e aparecer para os olheiros do Corinthians, de ser contratado e de, se fosse bom, ser aproveitado no time titular. 
Se ficasse na base do Corinthians, poderia ganhar muitos títulos e até subir para o profissional. Mas, ficaria só treinando, às vezes seria relacionado e entraria apenas eventualmente em alguns jogos, geralmente nos últimos minutos ou com o time perdendo. E depois, seria emprestado para ganhar experiência, na melhor das hipóteses para o Bahia ou para a Ponte Preta. Senão, para o Bragantino, para o Atlético-GO, para o América MG, para o Guaratinguetá, para o Oeste ou JMalucelli.
Não sei o que acontece, mas quando a molecada sobe para o profissional, os jogadores somem. Eu sei que é diferente jogar na base e no time principal, mas será que dos campeões das duas últimas Copas São Paulo que vencemos, não tinha ninguém para ser aproveitado? Ou será que falta vontade, paciência e competência para trabalhar com os jogadores oriundos da base?
Porque aos jogadores comprados é dado todo o tempo necessário para se adaptarem ao clube enquanto os meninos, no 1º tropeço, já são alijados até do banco e logo emprestados. O próprio Danilo, com todo o seu talento, precisou de quase um ano pra engrenar no Corinthians...
Porque a comissão técnica e a diretoria preferem investir em jogadores caros, muito deles com histórico de lesões, que aqui acabam ficando mais tempo no Departamento Médico do que no campo ou em jogadores em fim de carreira que vem pra se aposentar no Corinthians? Não querem ter trabalho na formação ou existirá alguma outra razão. O que e quem ganha com isso? Os empre$ário$? Ou mais alguém?
E ainda tem coisa pior. Contratamos um jogador da base de outro time, que lá era reserva e emprestamos o jogador da nossa base, da mesma posição, titular absoluto e campeão da Copinha, para um time totalmente inexpressivo.
Se a função principal da base é revelar jogador e não ganhar títulos, nosso time está andando na contramão. Os poucos que conseguimos revelar, revelamos para os outros. Ou emprestamos ou vendemos precocemente. Exemplos, a venda do William, do Jô e do Marquinhos. E, por falar no Marquinhos, na época em que ele foi para a Roma, até cheguei a ficar com raiva, por ele ter querido sair do Corinthians. Mas, analisando o que aconteceu e está acontecendo com os campeões das duas últimas Copas São Paulo, chego à triste conclusão que ele estava certo. Se ficasse aqui,  corria o risco de ser emprestado para a Ponte Preta ou para o Bragantino ou para o Oeste ou para o América MG ou para o Atlético GO ou para qualquer outro time da série B ou ainda inferior.
Em compensação, os jogadores comprados, não só os medalhões, estão tendo suas oportunidades e sendo testados. E alguns, principalmente os medalhões, têm sido assíduos no DM. Mas, disso não podemos reclamar, pois antes de contratá-los, todos sabiam dos seu históricos de lesões.
Pela despesa e pelo trabalho que a base dá ao clube e considerando que o Corinthians não usufrui desse investimento e prefere contratar jogadores prontos ou garimpar os jovens nos times de 2ª e 3ª Divisões, às vezes me vem uma ideia esdrúxula. Acabar com a base, pois se ela estiver dando lucro, e não me refiro apenas ao lucro financeiro, não é para o Corinthians. Porque, de nada adiantará a construção do CT da base ao lado do CT Dr Joaquim Grava, se não houver a mudança de mentalidade e de gestão, não só da base, mas da Diretoria de Futebol, implantando-se uma política capaz de aproveitar as potencialidades dos garotos e dar continuidade à formação dos atletas. Se não acontecer essa mudança, continuaremos jogando dinheiro no ralo, favorecendo os empresários e, possivelmente, outros envolvidos nas transações de jogadores. E quem mais perde com isso é o Corinthians.

Créditos e fontes de imagens
Agência Estado/espn.estadao.com.br
Marcos Ribolli/globoesporte.globo.com
timaonoar.blogspot.com
timaonoar.blogspot.com
facebook.com/GRÊMIO GAVIÕES DA FIEL TORCIDA
Tom Dib/lancenet.com.br
loucoporticorinthians.com.br

Um comentário:

  1. Este é um tema que aparece com bastante frequência nos blogs que frequentamos. De um lado os que defendem o maior aproveitamento da base e outro aqueles que acham que ela não serve pra nada. Estes pensam apenas nos Neymares e nos Lucas da vida, esquecendo-se que um time também se faz com os Rosineis. Historicamente, o Corintians não valoriza os seus garotos. Eu li sobre isto num artigo escrito pelo Vital Bataglia na Gazeta em 94. Ele falava do quanto o grande Neco se entristecia ao ver o clube trazendo jogadores de fora, desprezando seus meninos. A matéria foi escrita num período em que o Corinthians fora atrás de medalhões como Paulo Roberto, Branco, Luisinho Quintanilha e Marco Antonio Boiadeiro...O time acabou sendo vice brasileiro, mas sem fazer um campeonato convincente. Fora um ou outro jogo. No ano seguinte a base voltou a ser valorizada. Os medalhões foram embora sendo substituídos por garotos como Silvinho e André Santos. O resultado? O time campeão paulista e da Copa do Brasil. Em 2001, após um péssimo começo no paulistão, o time reagiu e chegou ao título graças ao futebol de dois oriundos do Terrão: o Gil e o Ewerthon. Então, vc tem um clube que muitas vezes despreza suas categorias de base, mas que ao longo de sua história sempre colheu bons frutos quando dela fez uso. E não esqueçamos do time mitológico dos anos 50, que tinha uns 5 jogadores formados no clube. Então, diante de tudo isso eu não consigo entender a política atualmente adotada pelo clube com a conivência do Adenor. Eu não consigo acreditar que ele não tenha percebido que o Arão joga menos do que o Gomes; que entre o Walace e o Marquinhos era muito melhor ficar com o segundo mesmo que este tivesse a metade do tamanho do primeiro. Eu digo que independe de treinador porque isto vem desde os tempos de Mano Menezes que queimou muitos dos campeões de 2009, assim como o Adenor está fazendo com os campeões de 2012. Eu acho, por exemplo, que o Igor deveria ser titular, mas como disse o Rogério no blog do Silvinho, o clube está atrás de um lateral da Chapecoense. Isto quer dizer que o Igor vai acabar dançando, ou tendo o mesmo destino do Dodô. É lamentável tudo isso.
    (Múcio Rodolfo)

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