terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Quem não joga por amor, não joga por terror

Houve uma época, bem nos primórdios da humanidade, onde os homens ainda regiam suas vidas por comportamentos instintivos e, lutando com os animais pelo sustento e pelo seu abrigo, pouco usavam da incipiente racionalidade que já possuem. Aos poucos, essa mesma humanidade desenvolveu a racionalidade, passou a entender e a controlar sua emoções, desenvolveu o sentimento e a força e a agressão física, foram substituídas pelo diálogo, pela negociação e pela razão.
Mas, parece que alguns representantes da humanidade terrena têm uma recaída e/ou, então, não foram capazes de avançar e ainda procuram resolver seus conflitos de forma violenta, ao invés de usar a própria inteligência e a criatividade nas suas ações. São os pais que ao invés de educar seus filhos optam por agredi-los física e/ou psicologicamente, são governantes que preferem guerrear a negociar, são motoristas que se matam no trânsito e perdem a vida pelo fato de alguém tê-lo feito perder alguns minutos, ao não permitir uma ultrapassagem, são aqueles que matam, roubam e agridem seus semelhantes.
Também no meio esportivo, temos assistido em vários países, comportamentos irracionais e desconcertantes. Movidos pela paixão ao seu time, torcedores têm apelado para atitudes e comportamentos muito mais próximos dos animais e dos povos das cavernas do que da própria racionalidade. Mas, este não é um comportamento que ocorre apenas no meio esportivo, pois aquele que agride e mata o torcedor rival numa briga, que agride jogador e funcionário do seu time, que quer botar terror para mudar uma situação ruim, apenas está tentando apagar o fogo com a gasolina e só piora a situação. E, na sua maioria, estes, que muita vezes agridem seus próprios parceiros de time, são os mesmos que brigaram na escola, criaram encrenca no trabalho e que, com sua agressividade, acabaram com a alegria das festas familiares. E isso independe de ser torcedor desorganizado ou organizado.
Mas, usar a racionalidade, não significa concordar com o que está errado nem ser conivente com o erro. Se é mais que legítimo protestar, reivindicar e exigir que mude o que está errado, nada justifica a violência, a invasão do local de trabalho, a intimidação, a depredação do patrimônio do clube, a agressão aos funcionários, colocar em risco a vida e a segurança de pessoas que estavam exercendo seu trabalho. E, se tudo isso ocorreu, é de se lamentar a falta de maturidade dos que assim procederam.
Basta ler os posts anteriores para verificar que nunca passei pano pra jogador, técnico ou dirigente, que cobro desempenho, raça, profissionalismo e comprometimento. Mas, já deveríamos ter aprendido, que atos violentos, involuntários, como foi o lamentável acidente de Oruro, ou voluntários, como os sinalizadores no final do Paulista, a garrafa atirada no bandeira, no jogo contra a Portuguesa e a briga com os vascaínos, além de nada terem contribuído para um melhor desempenho do time, ainda acarretou perdas de mando de campo e graves prejuízos ao Corinthians e mesmo à torcida.
Se havia, e havia, a necessidade de um protesto, de cobrança, de uma marcante demonstração de desagrado, era totalmente desnecessário invadir, agredir, ameaçar, acuar pessoas e impedir o treino que estava programado.
Com tais atitudes, o protesto e a cobrança, em si legítimos, foram totalmente desqualificados pela violência dos manifestantes.
Sou contra a violência, o que não significa ser contra protestos e pressão para que as coisas melhorem no Corinthians. Ninguém aguenta mais ver um time perdido em campo, jogadores desmotivados e inclusive, desprestigiando o único campeonato que o time está disputando, (né Paulo André), dirigentes omissos e outros desmandos que estão ocorrendo no Timão. E isso precisa chegar aos ouvidos dos jogadores, da comissão técnica e dos dirigentes.
Mas, não com atitudes que prejudiquem o próprio trabalho. Se as imagens do que ocorreu ainda não apareceram, se as agressões não foram comprovadas, se tudo ocorreu pacificamente, como consideram alguns, nem por isso deixou de haver prejuízo ao próprio desempenho do time no jogo de domingo. O último treino não ocorreu, ficar trancado 3 horas num vestiário, sob a ameaça de agressão desestrutura qualquer um e quem entrou em campo por pressão dos patrocinadores e de emissora de televisão, dificilmente terá um bom desempenho.
Se os exageros não tivessem ocorrido, se o treino tivesse sido realizado, se as cobranças não tivessem chegado à situação que chegou, estaríamos agora falando sobre o jogo e se o resultado tivesse sido adverso, estaríamos criticando o futebol jogado, a postura dos jogadores, a atuação do técnico, cobrando reforços e muito mais.
Mas, numa situação atípica, não tem muito sentido discutir o jogo em si. Jogadores nervosos, sem vibração, descontrolados e perdidos. Um queijo suíço no lugar da zaga, falhas na marcação, criação precária e atacantes perdendo gols imperdíveis. Nada de novo, mas com a justificativa de que não havia clima para jogo, que o time estava emocionalmente abalado, etc. 
Se o objetivo do protesto foi válido, a forma como ele ocorreu comprometeu seus resultados. O time não só perdeu, como não demonstrou em campo uma boa performance. E ainda deu justificativa para o mau desempenho.
Tudo indica que o tiro saiu pala culatra e quem não joga por amor, também não joga por terror.
E continua a queda de braço, agora via notas e manifestos, do clube, da torcida organizada, da Polícia Militar e dos jogadores. 


Créditos e fontes de imagens
meutimao.com.br
Marcos Ribolli/globoesporte.globo.com
MAON


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