sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Terror no Maracanã

Quando acabou o jogo domingo no Maracanã julgamos que tínhamos sido roubados apenas no campo. Ledo engano. A torcida do Corinthians foi roubada, também nas arquibancadas. Roubada de seus direitos, do direito da presunção da inocência, do direito de ir e vir e principalmente de sua dignidade. Se não se deve admitir agressões contra policiais, também não se deve admitir agressões contra torcedores. Não defendo a impunidade, mas sou totalmente contrária à impunidade coletiva quando não se tem competência para identificar os culpados para mascarar a incompetência daqueles que não conseguiram prevenir o conflito nem a capacidade de identificar os que dele participaram. E, na situação ora analisada, ignora a sua origem, a provocação e a tentativa de invasão do espaço corinthiano pela torcida da casa.
Se os responsáveis pela segurança do estádio tivessem um mínimo de competência teriam evitado o conflito, com a ação de pessoal suficiente e devidamente preparado para um policiamento preventivo. E, ao não conseguirem evitá-lo, teriam identificado os que lhe deram origem, os envolvidos no mesmo, evitando-se a punição de inocentes, a humilhação coletiva e o viés clubista e xenófobo. 
Mas, além da incompetência na prevenção e na identificação dos culpados, todos os corinthianos presentes no estádio foram submetidos aos abusos de uma polícia despreparada e sádica através de xingamentos, ameaças, agressões físicas, revista ilegal de celulares, (sem ordem judicial), pertences apreendidos, humilhações e constrangimentos. 
Após as humilhações, 64 torcedores foram separados por critérios duvidosos, uma vez que negros e tatuados eram alvos preferidos da polícia carioca. Segundo o relato de um torcedor presente, (conforme publicado no site meutimao.com.br) "Cada um que era supostamente identificado era agredido claramente com socos e com os cassetetes da PM, e levavam essas pessoas para algum lugar do estádio que não sei onde e nem o que é".
Destes, 31 permanecem presos, sendo que um deles tem provas que durante o conflito ainda não havia chegado ao estádio. Na audiência de custódia, a juíza, que dizem ser flamenguista, manteve a prisão e dois habeas corpus já foram negados. 
Curiosamente, mesmo com as tentativas de invasão do estádio e as imagens que comprovam seu envolvimento, nenhum flamenguista foi preso.
E o Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), numa atitude típica de sistemas ditatoriais, já puniu o Corinthians, mesmo sem ter havido julgamento, (portanto, cerceando todo e qualquer direito de defesa), com a interdição do setor norte da Arena e a proibição de todas as torcidas organizadas comparecerem aos jogos do Timão. Mais uma arbitrariedade desse tribunal, que pela ação de alguns (os envolvidos no conflito não chegam a 30 pessoas) pune toda uma torcida e o clube. Assim, o torcedor que nem foi para o Rio de Janeiro, impedido de entrar nos estádios, paga pela ação de uma minoria e pela incompetência dos responsáveis pela segurança do Maracanã. 
Para algumas pessoas, as imagens da ação policial lembraram o Carandiru. Para mim, as imagens lembraram o estádio Nacional do Chile do Pinochet. Em ambos os casos, suspeitos foram tratados como bandidos, embora bandidos, como seres humanos devam ser tratados como tal e conforme a lei. Mas, não tenho notícia de toda essa coragem e ousadia da polícia com os integrantes do PCC e do CV.
Sou contra a violência, não defendo a impunidade, mas sou totalmente contrária às arbitrariedades cometidas, ao descumprimento da lei, ao abuso da autoridade e à punição sem julgamento e sem direito de defesa. Que os culpados sejam identificados, julgados conforme a lei e punidos, inclusive aqueles que não cumpriram com seus deveres em relação à manutenção da segurança no Maracanã. E que apenas os comprovadamente culpados sejam punidos.
Para melhor entendimento do que ocorreu domingo pós jogo no Maracanã consultem no site meutimao.com.br as seguintes matérias:

Crédito e fonte de imagens
meutimao.com.br

Créditos e fontes de vídeos 
youtube.com/meutimao.com.br 
youtube.com/meutimao.com.br 
youtube.com/Camila Freitas

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