quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Caiu em Itaquera - E a Copa do Brasil, já era

A crônica de uma tragédia anunciada - E desejada
Uma tragédia com lances dramáticos. Anunciada pelo descaso para com a competição, pela falta de garra desde o jogo de ida, pela displicência dos jogadores, pela prática contrariando o discurso de que iria com a força máxima nos dois campeonatos, pela incoerência e falta de transparência e enganação. 
Anunciada pelo não usual mistério da escalação e treino e pelas mentiras e contradições na entrevista conjunta do médico e do técnico, quando foi garantido que Jadson era o único jogador com problemas físicos. 
Na realidade, a Copa do Brasil foi rifada pela diretoria, pela comissão técnica e pelos jogadores. Tanto que perderam os dois jogos atuando sem raça, sem vontade e com uma postura displicente. No jogo de volta, a escalação já deu a dica que só iriam cumprir tabela. Pouparam jogadores e os jogadores que atuaram, com raras exceções, pouparam-se em campo. Quem quer vencer e reverter um resultado não deixa de fora titulares absolutos nem jogador de seleção, a não ser que estejam com lesão. Quem quer vencer não coloca a responsabilidade de armar o jogo num garoto de 17 anos que, embora seja campeão de tudo o que disputou na base, tem apenas 4 minutos de jogo em partidas oficiais, e deixa no banco um campeão mundial, que apesar de não ter o mesmo vigor físico de outrora, é superior em técnica, experiência, domínio da bola, frieza e segurança. O mais estranho é que durante toda a temporada não se coloca os garotos pra atuar em jogos mais tranquilos e definidos, com a desculpa de não queimá-los, mas, num jogo decisivo e para reverter um resultado difícil, coloca nas costas do menino a responsabilidade da armação e da criação. Não quer queimar o garoto, mas o lança na fogueira. Quanta incoerência, quanta contradição!
Apenas a torcida acreditou, talvez porque apenas ela saiba o que significa ser Corinthians. Somente ela se lembra o que significa raça, garra, tradição, comprometimento, amor à camisa, superação e luta. Apenas ela se fez presente, lotando o setor de visitantes na Vila Belmiro, e comparecendo em massa em Itaquera, apesar do horário, das dificuldades de voltar para casa e do alto preço dos ingressos. E tudo isso para assistir dois jogos medonhos, um time perdido e sem vontade que mais parecia estar disputando um solteiros X casados após um churrasco com muita breja. 
Não estou questionando o resultado nem cobrando vitória. Afinal, perder e ganhar fazem parte do jogo. Estou questionando a displicência, a covardia em campo, o anti jogo e a postura dos jogadores no gramado, reflexo de uma diretoria frouxa e incompetente, de uma comissão técnica ineficaz e omissa e de um mau planejamento. 
Temos um elenco tecnicamente qualificado, jogadores experientes e rodados e outros mais jovens e com potencialidades não aproveitadas devido à mesmice, à falta de ousadia e de criatividade, de teimosia e de acomodação na zona de conforto. 
Se o técnico é bom de grupo e tem o vestiário na mão, por que não conseguiu motivar o bom elenco que temos para a competição?
Se a ideia era rifar a Copa do Brasil, para não ter seis jogos a mais na temporada, por que já não atuou com o time reserva ao invés de fazer todo esse teatro, enganando a torcida e criando expectativas?
Por que não jogaram limpo, admitindo que a prioridade era o Brasileiro e que na Copa do Brasil só iríamos cumprir tabela e dar rodagem para o time reserva e observar alguns garotos?
Por tudo o que aconteceu ficou claro que a eliminação foi uma tragédia, não apenas anunciada, mas premeditada e até desejada. Apesar da mensagem do telão e do vídeo motivacional.
Sim, a Fiel acreditou no #TamoJuntoNaQuartaFeira, mas quando chegou na Arena, não encontrou ninguém a quem se juntar. O time não compareceu, deu WO. Um WO camuflado, mas com a essência de WO.
Quanto ao jogo em si, não dá para analisar técnica e tática, pois elas também deram WO. Apenas quero ressaltar a nota dissonante, representada na vontade demonstrada pelo Renato Augusto, que tentou resolver o jogo sozinho, do Vagner Love que correu como louco atrás da bola, conseguindo dar assistência ao gol do Romero que, mesmo tecnicamente limitado, sempre busca o jogo, nas defesas do Cássio que evitou uma goleada, e na postura do Matheus Pereira, que não permitiu que a fogueira o consumisse.
Ficha Técnica - Corinthians 1 X 2 Santos
Local: Arena Corinthians, em Itaquera, São Paulo (SP)
Data: 26 de agosto de 2015, quarta-feira
Horário: 22 horas (de Brasília)
Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro - MG (FIFA) 
Árbitro Assistente 1: Bruno Boschilia - PR (FIFA) 
Árbitro Assistente 2: Marcio Eustáquio S. Santiago - MG (ESP-1) 
Quarto Árbitro: Bruno Arleu de Araújo - RJ (CBF-2)
Delegado: Giulliano Bozzano - MG (000)
Quinto Árbitro: Carlos Augusto Nogueira Júnior - SP (CBF-1) e Almir Alves de Mello - SP (000)
Público: 37.338 pagantes
Renda: R$ 2.353.824,50
Cartões amarelos: Vagner Love, Bruno Henrique, Felipe e Gil (Corinthians); Ricardo Oliveira e Lucas Lima (Santos)
Gols: Corinthians: Romero, aos 27 minutos do segundo tempo; Santos: Gabriel, aos 14 minutos do primeiro tempo, e Ricardo Oliveira, aos 19 minutos do segundo tempo
Corinthians: Cássio; Edílson, Felipe (Edu Dracena), Gil e Uendel; Ralf; Matheus Pereira (Romero), Bruno Henrique (Cristian), Renato Augusto e Malcom; Vagner Love; Técnico: Tite
Santos: Vanderlei; Victor Ferraz, David Braz, Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia (Leandrinho), Renato e Lucas Lima; Gabriel (Marquinhos Gabriel), Ricardo Oliveira e Geuvânio (Chiquinho); Técnico: Dorival Júnior

Crédito e fonte de imagem
globoesporte.globo.com 

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