sexta-feira, 29 de abril de 2016

Sem altitude para atrapalhar, mas sem atitude para vencer

Foi um jogo feio, difícil de assistir. Mesmo com um adversário muito inferior tecnicamente, o Corinthians sucumbiu a um time bem armado pelo Gustavo Manúa, que não deu espaço e só não venceu o jogo por ser pouco efetivo no ataque, pelas defesas do Cássio e por uma bola que o Fagner salvou. Se eles não fossem ruins de conclusão, teríamos perdido o jogo. Pelo que não jogamos, o empate sem gols, embora um resultado temerário, foi lucro. 
Mesmo com mais posse de bola, 57,4%, o Corinthians não sabia o que fazer com ela. Foi um verdadeiro latifúndio improdutivo, com vacilos na defesa, pouquíssima criação, passes e cruzamentos errados e sem nenhuma força ofensiva. A bola não passou do meio campo, havendo apenas cinco finalizações, todas erradas. O goleiro deles apenas assistiu o jogo, não tendo feito nenhuma defesa. 
Enquanto o Nacional-URU mostrou disposição e uma boa organização tática, que nos encurralou na intermediária, é só não venceu por deficiência técnica de seus jogadores, o Corinthians engessou seu futebol, preso num esquema tático que não prioriza as características de alguns jogadores e exclui outros do jogo. Para manter o 4-1-4-1, são escalados jogadores com deficiência técnica e que não têm correspondido. E para piorar, não vimos em campo um time aguerrido e raçudo, mas sim um time sem empolgação, até um pouco displicente e sem ambição. E pelo que assistimos, bem como pelo teor das entrevistas pós jogo, deduzimos que o objetivo do Corinthians no Uruguai era empatar e trazer a decisão para Itaquera. Jogaram com o regulamento debaixo do braço e esse conformismo, essa falta de ambição é muita pobreza para um time com a grandeza do Corinthians. 
Individualmente, embora todo o time tenha jogado aquém das suas possibilidades, Alan Mineiro e Lucca foram os piores em campo, Bruno Henrique, por mais que se esforce não consegue atuar como cabeça de área, deixando a zaga desprotegida e a defesa vulnerável, Felipe e Yago se atrapalharam em alguns lances, Uendel mostrou-se inseguro, Elias pouco produtivo e Fagner bem na defesa, mas tímido no apoio, onde foi prejudicado pelas falhas do Alan Mineiro.
Rodriguinho foi o mais eficiente no meio campo, mas foi prejudicado pelo mau desempenho do coletivo, André buscou o jogo, se empenhou, mas ficou muito isolado. Marlone foi mais participativo, melhorou a armação mas não conseguiu chegar ao ataque e Romero entrou muito tarde, com o time já conformado com o empate. Cássio deu alguns sustos e fez duas boas defesas. Foi considerado o melhor em campo e quando o goleiro é o melhor do jogo, significa que o time foi mal. 
Tite demorou para mexer no time e nem fez as três substituições, deixando o inoperante Lucca em campo durante todo o jogo. E mesmo com o time jogando mal, não alterou o esquema tático. Sem variação de jogadas e com um time previsível, qualquer técnico minimamente aplicado mata o jogo. Basta marcar os laterais que o time fica sem escape, principalmente numa noite em que o Elias esteve apático e bem marcado. Não entendo porque o técnico opta por sacrificar o futebol e não o esquema tático. 
Embora não tenha nada perdido, pois em Itaquera as chances são maiores, pelo conhecimento do campo e pela força da torcida, foi lamentável o desempenho do time no Uruguai, principalmente pela falta de atitude durante o jogo. Desta vez, não teve altitude para atrapalhar, mas também não teve atitude para vencer. E o time voltou satisfeito, porque cumpriu a meta. 
Tomara que dia 04/05 o script seja diferente. 
Melhores momentos
Ficha Técnica - Nacional-URU 0 X 0 Corinthians 
Local: Estádio Parque Central, em Montevidéu (Uruguai)
Data: 27 de abril de 2016, quarta-feira
Horário: 21:45 horas (de Brasília)
Árbitro: Patrício Loustau (Argentina)
Assistente 1: Gustavo Rossi (Argentina) 
Assistente 2: Ariel Scime (Argentina)
Quarto árbitro: Silvio Trucco (Argentina)
Delegado: Martin Vasques (Uruguai) 
Cartões amarelos: Polenta, Fernández e Porras (Nacional); Elias e Felipe (Corinthians)
Nacional-URU: Conde; Fucile, Victorino, Polenta e Espino; Porras, Romero, Barcia e Ramírez; Fernández e Nico López; Técnico: Gustavo Munúa
Corinthians: Cássio; Fagner, Felipe, Yago e Uendel; Bruno Henrique, Elias, Alan Mineiro (Marlone), Rodriguinho e Lucca; André (Romero); Técnico: Tite

Créditos e fontes de imagens e vídeo
globoesporte.globo.com
footstats.net
Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians/meutimao.com.br
youtube.com/globo.com 

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