segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Ao invés de futebol, uma noite de terror

A noite começou em festa e acabou como filme de terror. A alegria pela apresentação do Jadson voltando ao time, com a presença dos campeões de 77, deu lugar à tristeza por uma derrota em casa por um adversário em posição inferior no Ranking Nacional de Clubes (RNC) e com uma estrutura bastante limitada em comparação às condições estruturais e financeiras do Corinthians. Acontece que o Santo André conseguiu superar suas dificuldades com uma forte marcação e com a habilidade de seus jogadores no arremate final, que não desperdiçaram suas duas chances de gol. 
No início do jogo, o Corinthians teve um gol anulado num lance duvidoso em que o árbitro viu falta no ataque. No segundo tempo, Rodriguinho foi derrubado dentro da área, mas o árbitro não teve coragem de marcar o segundo pênalti para o Timão. Mas não podemos computar o fracasso apenas aos erros da arbitragem. Na verdade, o time sentiu o gol do Santo André, se afobou e se desestruturou.
Mesmo com 64% de posse de bola, nossos jogadores não sabiam o que fazer com ela. O que vimos em campo, após o gol do Santo André, foi um time descoordenado, confuso, afobado, sem criatividade, com uma única jogada, abusando dos cruzamentos (48 cruzamentos, sendo 36 errados e apenas 16 certos) e com erros no arremate final (21 finalizações erradas e 8 certas), em que a maioria das finalizações certas foram mais recuos para o goleiro que propriamente finalizações. Inclusive um pênalti muito mal batido pelo Jô e defendido pelo goleiro. 
E não bastasse a inoperância do setor ofensivo, a defesa, que julgávamos sólida, vacilou nos dois gols que tomamos. No primeiro, em cobrança de falta do time do ABC, Pablo e Balbuena não acompanharam o ataque adversário e deixaram o Edmilson livre para abrir o placar. No segundo gol, num lançamento longo, Deivid cruzou para o Claudinho ampliar para o Ramalhão. Na jogada, Pablo e Fagner, deixaram o jogador livre para finalizar. Um detalhe, Claudinho pertence ao Corinthians e está emprestado ao Santo André até o final do Paulistão. Ele não serve para jogar no Corinthians, mas serve para fazer gol no Corinthians. Na única chance que teve, acertou o gol, enquanto nossos atacantes, com salários muito superiores, fracassaram em todos os lances. Claudinho tem um salário de 25 mil reais, pagos pelo Corinthians, e Jô, entre salários e luvas, recebe mais de 400 mil reais por mês. 
Sei que é início de temporada, que o time foi remontado e que o técnico está iniciando o trabalho. Mas sei também que o Santo André não tinha conseguido vencer o Ituano e o Red Bull, (empatou com ambos), que tem condições estruturais e salariais inferiores ao Corinthians e que jogávamos em casa. Não dá para minimizar essa derrota e nem nos iludirmos com os resultados anteriores. Se temos alguns jogadores esforçados, que se doam em campo, temos atletas limitados. Alguns parecem ter suco de maracujá no lugar de sangue nas veias, outros erram tudo o que tentam e tem aqueles cujo perfil não se encaixa num time como o Corinthians. Além disso, taticamente, nosso time é previsível, sem criatividade e incapaz de encontrar uma alternativa e mudar o esquema tático numa situação adversa. E isso é problema da comissão técnica. Carille pode ser esforçado e estudioso, mas na ânsia de imitar o Tite corre o risco de acabar virando uma caricatura do técnico da seleção. Minha esperança é que seu auxiliar Osmar Loss possa ajudá-lo no aproveitamento dos garotos que vieram da base. O ideal seria fazer uma limpa no elenco, negociando os jogadores que não renderam no ano passado e continuam não rendendo esse ano, aproveitar os garotos, mesclando com os mais experientes, como foi feito no Futsal, e começar a formar um time consistente. E treinar, à exaustão, cobranças de faltas, de pênaltis e finalizações.
Gabriel e Rodriguinho foram os menos piores do time, enquanto Felipe Bastos, Guilherme e Marquinhos Gabriel foram os destaques negativos. Jô se esforçou, lutou, correu, fez bem o pivô, mas além de bater mal o pênalti não conseguiu acertar o gol. A entrada de Kazim deu mais força ofensiva ao time, mas não conseguiu reverter o placar.
O próximo compromisso do Corinthians será contra o Novorizontino na quarta feira, 15/02, às 19:30 horas, em sua Arena em Itaquera, São Paulo, SP. 
Melhores momentos
Ficha Técnica - Corinthians 0 X 2 Santo André 
Local: Arena Corinthians em Itaquera, São Paulo (SP)
Data: 11 de fevereiro de 2017, sábado
Horário: 21:00 horas (de Brasília)
Árbitro: Salim Fende Chavez (SP)
Assistente 1: Daniel Paulo Ziolli (SP) 
Assistente 2: Alberto Poletto Masseira (SP)
Quarto árbitro: Lucas Canetto Bellote
Público: 18.046 pagantes (total de 18.271)
Renda: R$ 798.997,30
Cartões amarelos: Rodriguinho (Corinthians); Eduardo Ramos, Zé Carlos e Cicinho (Santo André)
Gols: Santo André: Edmilson, aos 11 minutos do primeiro tempo, e Claudinho, aos 22 minutos do segundo tempo
Corinthians: Cássio; Fagner, Balbuena, Pablo e Moisés (Romero); Gabriel, Giovanni Augusto, Fellipe Bastos (Guilherme), Rodriguinho e Marlone (Kazim); Jô; Técnico: Fábio Carille
Santo André: Zé Carlos; Cicinho, Leonardo, Reniê e Paulinho (Diogo Orlando); Baraka, Dudu Vieira, Deivid (Diogo Borges), Eduardo Ramos e Fernando Neto; Edmilson (Claudinho); Técnico: Toninho Cecílio

Créditos e fontes de imagens e vídeo
globoesporte.globo.com-Reprodução TV/globo.com
youtube.com/TopGames-globo.com 

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