sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Engasgando com o espinho do Peixe

Numa atuação vergonhosa e displicente o Corinthians apenas empatou com o Santos, perdendo mais dois pontos preciosos e se distanciando do G4. Vários fatores contribuíram para que isso ocorresse. 
Apesar do discurso, antes do jogo, de que seria uma partida difícil, o time entrou em campo achando que ganharia fácil e o gol nos primeiros minutos deu-lhe muita tranquilidade. Os jogadores baixaram a guarda, desconcentraram-se, recuaram e pararam de jogar. Trocaram as chuteiras pelo salto alto e quebraram o salto.
Mas, não foi somente isso. Faltou, também, preparo físico e técnico. E o esquema tático deixou os atacantes isolados. A bola não chegou para o Guerrero como não chegou ao Pato. E não adiantou trocar de centro avante, pois o problema não estava neles e sim na falta de criação, nos erros de passes, nas bolas perdidas, nesse esquema que prioriza a marcação, que faz os atacantes atuarem como volantes e terem que voltar pra marcar lateral, saindo da área a todo instante. 
E depois ainda reclamam dos atacantes. Todos, desde o tempo do Liedson, William e Jorge Henrique até os atuais Romarinho, Émerson e Guerrero chegaram fazendo gols. Depois que entraram no esquema de correr o campo inteiro e cobrir os laterais os gols sumiram.  
Com todo mundo marcando, ao invés de marcarem gol, acabaram marcando bobeira. E numa dessas bobeiras, levamos o empate e, pra não variar, saiu mais um gol do lado esquerdo, onde sempre tem uma auto estrada livre e um zagueiro lento. Que saudades da dupla Chicão e Castán.
Mas, no Corinthians autêntico, e não nesse cover que jogou contra o Santos, quando não dá na técnica e na tática, vai na raça. Raça que ontem não existiu. Faltou vontade, faltou empenho, faltou comprometimento. O maior problema foi a postura do time, sua atitude displicente, achando que poderia ganhar o jogo a qualquer momento. Mas, com tal atitude deram espaço, permitiram que o Santos entrasse no jogo, perderam o controle da partida, tomaram o gol e por pouco não levamos a virada. A situação ficou tão feia que os próprios jogadores admitiram a má atuação.
Uma coisa que não entendo é essa falta de espírito de competitividade que o time vem apresentando, a falta de ambição pelos gols. Parece que 1 a 0 satisfaz e 2 a 0 já é goleada. Parece que o time tem dó do adversário, tem pena de fazer gol e considera humilhante vencer por um placar mais largo. Além disso, joga um futebol burocrático, engessado, previsível, sem graça. Dar um drible, uma caneta, um chapéu já e considerado pelo técnico um desrespeito. Falta ao time sangue nos olhos, faca nos dentes, jogadas que desestabilizem o adversário. Qualquer jogada mais ousada já é considerada humilhação. Luizinho e Garrincha não teriam lugar no Corinthians atual. Para o técnico é mais importante ganhar o troféu fair play do que o próprio título do campeonato.
Com essa postura, que se manifestou também na 1ª fase do Paulistão, perdemos pontos preciosos e recolocamos no páreo times em estado terminal. Nossa prática em ressuscitar defuntos é tão eficaz que o time poderia até trabalhar na U.T.I.
Além da decepção de constatar que as duas vitórias consecutivas ainda não significam a retomada do bom futebol e que mais parece o voo da galinha do que o do gavião, ainda tive que ouvir que o problema foi o excesso de preciosismo e que o gol no início fez mal ao time:
“O nosso gol fez a gente abaixar a guarda. Parece que foi algo ruim para nós. Ao invés de se mobilizar, a equipe diminuiu a sua intensidade, agressividade e organização, o que é a característica do Corinthians” afirmou o nosso treineiro.
Mais humildade e auto crítica tiveram o Guilherme e o Edenílson, que pelas redes sociais reconheceram a má atuação, prometeram trabalhar mais e não ficaram com desculpas esfarrapadas.
Com 18 pontos no campeonato, ocupando a 8ª colocação, com 4 vitórias, 6 empates e duas derrotas, Tite não se preocupa com essa empaTITEbilidade e diz que o time está retomando o padrão. Que padrão? O da campanha da Libertadores e do Mundial de 2012 ou o padrão dos empates? Assim despreocupado, sem muita pressa, aposta todas as fichas nos últimos 10 jogos do campeonato, quando espera que a equipe esteja no seu melhor nível de desempenho.  
Se ele não está preocupado, eu estou. Eu e mais de 30 milhões de torcedores que até aceitam o empate e a derrota como resultados de um jogo, mas que não aceitam a displicência, a falta de ambição e a falta de empenho.
Parece que estamos padecendo de fadiga de material e vivendo das glórias de 2011/2012. Assim como o ciclo de alguns jogadores está encerrando, creio que também precisamos oxigenar a comissão técnica. Como o Mário Gobbi não abre mão do Tite que, pelo menos, o técnico procure se reciclar e introduza um novo esquema tático, mais aguerrido e mais ousado. 
Está na hora da torcida cobrar um futebol mais efetivo, mais competitivo, mais raçudo. Está na hora de gritar:
Vamos jogar bola!!!

Ficha Técnica - Santos 1 X 1 Corinthians
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos (SP)
Data: 7 de agosto de 2013, quarta-feira
Horário: 21:50 horas (de Brasília)
Árbitro: Marcelo Aparecido de Souza (SP)
Assistentes: Carlos Augusto Nogueira Júnior e Danilo Ricardo Simon Manis (ambos de SP)
Público: 8.120 pagantes
Renda: R$ 231.358,00
Cartões amarelos: Alison, Willian José, Edu Dracena e Neílton (Santos); Edenílson e Douglas (Corinthians)
Cartões vermelhos: Willian José (Santos); Paulo André (Corinthians)
Gols: Santos: Willian José, aos 9 minutos do segundo tempo; Corinthians: Paulo André, aos 3 minutos do primeiro tempo
Santos: Aranha; Cicinho (Galhardo), Edu Dracena, Durval e Léo (Mena); Arouca, Alison (Leandrinho), Cícero e Montillo; Neílton e Willian José. Técnico: Claudinei Oliveira
Corinthians: Cássio; Edenílson, Gil, Paulo André e Fábio Santos; Ralf e Guilherme; Romarinho (Ibson), Danilo (Douglas) e Renato Augusto; Guerrero (Alexandre Pato). Técnico: Tite
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Créditos e fontes de imagens
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